Enchente em União da Vitória gera cobranças sobre plano de contingência e estrutura da Defesa Civil
- 15/09/2026
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A situação da enchente em União da Vitória foi tema de um amplo debate durante a 28ª sessão da Câmara de Vereadores. Em meio à atual cheia do Rio Iguaçu, os parlamentares levantaram questionamentos sobre o funcionamento do plano de contingência, a estrutura da Defesa Civil Municipal e as medidas que precisam ser adotadas antes que a água alcance as áreas mais vulneráveis.
Durante a sessão, foi destacado que o enfrentamento de uma enchente não deve começar apenas quando a água chega às residências. Segundo uma das vereadoras que se manifestou, o planejamento precisa envolver o acompanhamento de dados meteorológicos, emissão de alertas, elaboração de mapas de risco, preparação de abrigos, treinamento das equipes e definição das responsabilidades de cada órgão público.
O histórico do município também foi utilizado para reforçar a necessidade de planejamento permanente. Conforme os dados apresentados durante a sessão, desde 1983, União da Vitória registrou 12 cheias que ultrapassaram a marca de seis metros no Rio Iguaçu. A avaliação apresentada é de que, diante do conhecimento dos pontos mais vulneráveis e dos impactos provocados pelas enchentes, o município precisa manter uma estrutura preparada de forma contínua.
Um dos principais pontos levantados foi a estrutura atualmente disponível para a Defesa Civil Municipal. Foram questionados o número de servidores permanentes, equipamentos, recursos humanos e materiais disponíveis, além da capacidade da equipe para atuar nas etapas de prevenção, preparação, resposta e recuperação após um desastre.
Também foi destacada a importância da integração entre a Defesa Civil e outras áreas da administração municipal, como Assistência Social, Saúde, Educação e Infraestrutura, além da articulação com a Defesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros e órgãos responsáveis pelo monitoramento meteorológico e hidrológico.
Plano de contingência
Outro ponto central do debate foi o Plano Municipal de Proteção e Defesa Civil e o Plano de Contingência Municipal. Conforme o conteúdo apresentado na sessão, os documentos estabelecem procedimentos relacionados ao monitoramento, emissão de alertas, mobilização das equipes, atendimento à população, funcionamento dos abrigos e recuperação após eventos extremos.
A cobrança apresentada durante a sessão foi para que o município avalie quais medidas previstas nos planos foram efetivamente colocadas em prática durante a atual enchente e quais situações precisaram ser solucionadas de maneira improvisada.
Também foram levantados questionamentos sobre o momento de acionamento das equipes e do Grupo de Resposta e Ações Coordenadas (GRAC), a preparação dos abrigos e a disponibilidade de recursos para atender as famílias atingidas.
Prevenção como política permanente
O debate também abordou os efeitos das mudanças climáticas e o monitoramento de fenômenos climáticos, como o El Niño. A posição apresentada durante a sessão foi de que União da Vitória já dispõe de informações, tecnologia e instituições capazes de acompanhar as condições climáticas e hidrológicas, sendo necessário transformar esses dados em ações concretas no território.
Ao final, a cobrança foi para que, após a atual enchente, o município realize uma avaliação detalhada das ações adotadas, identificando o que funcionou, quais dificuldades foram encontradas e quais medidas precisam ser aprimoradas.
Durante a sessão, foi defendido ainda que a Defesa Civil seja tratada como uma política pública permanente e estratégica para União da Vitória, e não apenas como uma estrutura acionada durante períodos de emergência.
A proposta é que os aprendizados deixados pela atual cheia sejam utilizados para aperfeiçoar o planejamento e preparar o município para futuros eventos, reduzindo a necessidade de improvisação quando o nível do Rio Iguaçu voltar a subir.










